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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

São necessárias novas linguagens para comunicar a fé, afirma Papa

Na audiência com os participantes da plenária do Conselho Pontifício para a Cultura


A Igreja deve buscar linguagens novas e criativas para comunicar ao homem de hoje a beleza da fé e da vida cristã.

Esta foi a mensagem de Bento XVI no último sábado, ao receber em audiência, no Vaticano, os participantes da assembleia plenária do Conselho Pontifício para a Cultura. Durante a plenária, foram repassados os diversos itinerários da comunicação,"desde a linguagem artística e musical à juvenil; do rito à rede informática e televisiva; das linguagens e dos 'ícones' virtuais aos sinais materiais; dos símbolos litúrgicos ao testemunho pessoal e existencial".

Por sua vez, o Papa destacou que a comunicação "é um dos aspectos cruciais do nosso mundo e de suas culturas".
Por isso, indicou, é tarefa do dicastério vaticano para a cultura "colocar-se à escuta dos homens e mulheres da nossa época, para promover novas ocasiões de anúncio do Evangelho".

terça-feira, 8 de junho de 2010

Porque testemunhos como esses não são divulgados pelos meios de comunicação?


“Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me feliz e orgulhoso pela minha vocação. Vivo em Angola como missionário há vinte anos.” Assim começa a carta que o missionário salesiano uruguaio Martín Lasarte enviou ao New York Times sem obter resposta. Na carta, explica o trabalho silencioso a favor dos mais desfavorecidos da maioria dos sacerdotes da Igreja Católica que, contudo, “não é notícia”.

Na carta remetida pelo Pe. Martín Lasarte, ele explica que a enviou dia 6 de abril ao jornal nova-iorquino e desde então não obteve resposta. Nela, expressa seus sentimentos diante da onda midiática despertada pelos abusos de alguns sacerdotes, enquanto pouco surpreende o interesse que desperta nos meios o trabalho cotidiano de milhares e milhares de sacerdotes.

“É doloroso muito saber que as pessoas que deveriam ser sinais de amor de Deus tenham sido um punhal na vida de inocentes. Não há palavra que justifique tais atos. Não há dúvida de que a Igreja está do lado dos fracos, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que forem tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças serão sempre uma prioridade absoluta”, afirma em sua carta.

Contudo, destaca, “é curiosa a pouca noticiabilidade e desinteresse por milhares e milhares de sacerdotes que trabalham em prol dos milhões de crianças, adolescentes e demais desfavorecidos nos quatros cantos do mundo”.

“Penso que para seu meio de informação não interessa as muitas crianças desnutridas que tive de carregar por caminhos minados em 2002 desde Cangumbe a Luena (Angola), pois nem o governo se dispunha a fazer isso, e as ONGs não estavam autorizadas; tive de enterrar dezenas de pequenos, falecidos entre os deslocados pela guerra e os que retornaram; que salvamos a vida de milhares de pessoas no México mediante o único posto médico a 90 mil km de distância, assim como a distribuição de alimentos e sementes; que demos a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas a mais de 110 mil pequenos…”, afirma.

“Não é de interesse - destaca – que ,como outros sacerdotes, tivemos de socorrer a crise humanitária de cerca de 15 mil pessoas nos quartéis da guerrilha, depois de sua rendição, porque não chegavam os alimentos do governo e da ONU.”

E, em seguida, enumera uma série de ações, muitas vezes em situação de risco ou perda de vida, por seus companheiros que são ignoradas pela mídia.

“Não é notícia um sacerdote de 75 anos, Pe. Roberto, que vai até as cidades de Luanda curando os meninos da rua, levando-os a uma casa de recuperação, para que se desintoxiquem; que alfabetiza centenas de presos; e outros sacerdotes, maltratados e até violentados e buscam um refúgio. Menos ainda que o Frei Maiato, com seus 80 anos, passe de casa em casa confortando os doentes e desesperados.”

“Não é notícia que mais de 60 mil, dos 400 mil sacerdotes e religiosos, deixaram sua terra e sua família para servir seus irmãos em leprosários, hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de bruxaria ou órfãos de pais que faleceram com Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a portadores do HIV… ou sobretudo em paróquias e missões, dando motivações para as pessoas viverem e amarem.”

“Não é notícia que meu amigo, Pe. Marcos Aurélio, por salvar alguns jovens durante a guerra na Angola, transportou-os de Calulo a Dondo e, voltando à sua missão, foi morto no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, por ir ajudar as áreas rurais mais escondidas, foram mortos em um acidente na estrada; que dezenas de missionários na Angola morreram por falta de socorro sanitário, por uma simples malária; que outros voaram pelo céu, por motivo de minas terrestres, visitando seus povos. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região… Nenhum deles passou dos 40 anos.”

“Não é notícia acompanhar a vida de um sacerdote ‘normal’ em seu dia-a-dia, em suas dificuldades e alegrias, consumindo sem barulho sua vida a favor da comunidade à qual serve.”

“A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa Notícia, essa notícia que sem barulho começou na noite de Páscoa. Há mais ruído por uma árvore que cai do que por um bosque que cresce”, destaca.

“Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes – afirma. O sacerdote não é nenhum herói nem um neurótico. É um simples homem que, com sua humanidade, busca seguir Jesus e servir seus irmãos. Há miséria, pobreza e fragilidade, como em cada ser humano; e também beleza e bondade, como em cada criatura…”

“Insistir na perseguição obsessiva em um tema, perdendo a visão de conjunto, cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico, nas quais me sinto ofendido”, afirma.

E conclui: “Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o tornará nobre em sua profissão”.

Autor: Nieves San Martín

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Missão irrenunciável da Igreja também é anunciar Cristo na Internet, diz o Papa Bento XVI

VATICANO, 24 de abril de 2010 às 11:22 AM

Ao receber este meio-dia (hora local) os participantes do congresso nacional "Testemunhas digitais. Rostos e linguagens na era digital", promovido pela Conferência Episcopal Italiana, o Papa Bento XVI ressaltou que a missão irrenunciável da Igreja também é anunciar a Cristo na Internet, mostrando a todos a verdadeira dignidade da pessoa criada Por Deus para que com Ele chegue à sua plenitude.

Ao iniciar seu discurso em italiano, o Santo Padre fez um breve diagnóstico sobre as novas realidades virtuais, em meio das quais "aumentam os perigos de homologação e controle, de relativismo intelectual e moral" e expressou seu desejo de que este congresso aponte a "reconhecer os rostos, supere essas dinâmicas coletivas que podem fazer desaparecer a percepção da profundidade das pessoas e ficar em sua superfície: quando isto acontece, convertem-se em corpos sem alma, objetos de mudança e de consumo".

Ao falar logo do caminho de humanização, Bento XVI recordou sua encíclica "Caritas in veritate" na que assinala a necessidade de que os meios estejam centrados em "a promoção da dignidade das pessoas e os povos, estejam animados pela caridade e postos ao serviço da verdade, do bem e da fraternidade natural e sobrenatural".

"Somente com tais condições a passagem de época que estamos atravessando pode revelar-se rica e fecunda de novas oportunidades. Sem temor queremos entrar no mar digital, confrontando a navegação aberta com a mesma paixão que há dois mil anos governa a barco da Igreja. Mais que os recursos técnicos, que são necessários, queremos nos qualificar habitando também este universo com um coração crente, que contribua a dar uma alma ao ininterrupto fluxo comunicativo da rede".

Esta, continuou o Papa, "é nossa missão, a missão irrenunciável da Igreja: a tarefa de todo crente que obra nos meios é a de ‘aplainar o caminho a novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contato humano e a atenção às pessoas e suas verdadeiras necessidades espirituais, oferecendo aos homens que vivem este tempo ‘digital’ os sinais necessários para reconhecer o Senhor’".

"Queridos amigos, também na rede estamos chamados a colocar-nos como ‘animadores de comunidades’, atentos a ‘preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus’ e a expressar uma particular sensibilidade para quantos ‘estão desesperançados e têm no coração desejos de absoluto e de verdade não esgotados’. A rede poderá assim converter-se em uma espécie de ‘pórtico dos gentis’ aonde se ‘faça espaço também para quem Deus é ainda um desconhecido’".

Depois de animar o trabalho dos meios católicos na Itália, o Santo Padre exortou a "todos os profissionais da comunicação a não deixarem de nutrir-se no próprio coração daquela sã paixão pelo homem que se converte em tensão assim como a aproximar-se sempre mais a suas linguagens e a seu verdadeiro rosto. Ajudar-nos-á nesta tarefa uma sólida preparação teológica e sobre tudo uma profunda e alegre paixão por Deus, alimentada no contínuo diálogo com o Senhor".

Ao finalizar, Bento XVI alentou a todos a "percorrerem, animados pela coragem do Espírito Santo, os caminhos do continente digital. Nossa confiança não está posta acriticamente em algum instrumento da técnica. Nossa força está no ser Igreja, comunidade crente, capaz de testemunhar a todos a perene novidade do Ressuscitado, com uma vida que floresce em plenitude na medida em que se abre, entra em relação, doa-se com gratuidade".

Fonte: ACIdigital

terça-feira, 27 de abril de 2010

DOM CELLI: MISSÃO DA IGREJA É DAR ALMA AO CONTINENTE DIGITAL

ROMA, domingo, 25 de abril de 2010

A Igreja tem a tarefa de dar uma alma ao continente digital, não simplesmente a de conseguir um espaço nele, mas para isso são necessárias "testemunhas digitais", explica o homem a quem Bento XVI confiou a pastoral da comunicação.

O arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, apresentou este objetivo no congresso que teve precisamente como tema "Testemunhas digitais" (http://www.testimonidigitali.it), organizado pela Conferência Episcopal Italiana (CEI) em Roma, de 22 a 25 de abril (cf. Zenit, 22 de abril de 2010).

Este encontro marcou decididamente a maneira de comunicar da Igreja na Itália e inclusive fora de suas fronteiras.

"Hoje, sem cair no risco de ser banais, não se pode continuar falando da importância dos meios de comunicação", afirmou Dom Celli. Segundo o prelado, agora a atenção principal deve ser colocada no ser humano, "que correu o risco de ser esmagado pela invasão das novas tecnologias e a quem se pede que retome plenamente sua própria responsabilidade".

Referindo-se ao mundo digital, o arcebispo comentou: "Se a rede por definição é virtual, corresponde a nós a tarefa de torná-la concreta, de dar-lhe profundidade, de oferecer-lhe, de certa forma, alma e, portanto, vida".

Citando a mensagem enviada por Bento XVI por ocasião do 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais, comentou que, com relação às "testemunhas autênticas e valentes", o continente digital deve "aplanar o caminho a novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contato humano e a atenção pelas pessoas e suas verdadeiras necessidades espirituais".

Isso significa exercer a "diaconia da cultura digital, que se apresenta hoje como um serviço não somente útil, mas necessário, sublinhando a dimensão antropológica de todo o fenômeno da comunicação", pois o desafio não é o de utilizar instrumentos ou máquinas, mas sim dar-lhes uma alma.

O prelado concluiu afirmando que "o Papa nos convida a um diálogo a 360 graus, aberto a todo homem".

"Deveríamos refletir sobre a vocação dos nossos meios de comunicação em casa. Não são escolas de fundamentalismo religioso, mas querem ser verdadeiros momento de encontro, de diálogo, de escuta vivida no respeito, mas também na autenticidade do que somos."

Fonte: Zenit.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Na INTEGRA: Mutirão aprova Carta de Porto Alegre

Somos comunicadores e comunicadoras solidários com nossos povos e integrados plenamente no seu caminhar. Partilhamos os sofrimentos, as crises, as alegrias e as esperanças de nossas irmãs e irmãos. Por esse motivo, e ainda em meio à atual crise civilizatória, que se expressa, entre outros fatores, na mundialização das economias e na livre circulação de mercadorias e capitais especulativos, nos atrevemos a refletir e sonhar, alimentando a utopia e a esperança.

Somos comunicadores e comunicadoras, pesquisadores, professores, jornalistas e estudantes da América Latina e do Caribe, reunidos em Porto Alegre (Brasil) de 3 a 7 de fevereiro de 2010, no Mutirão de Comunicação, no qual fomos convidados para analisar os “Processos de comunicação e cultura solidária”.

O Mutirão propiciou o intercâmbio de experiências, de saberes e de comunhão em Jesus Cristo entre comunicadores e comunicadoras com diferentes trajetórias pessoais, profissionais, políticas, religiosas, culturais, unidos no compromisso e na responsabilidade comum com os povos da região que lutam pela dignidade, pela justiça e na defesa de uma democracia que seja capaz de garantir a vigência de seus direitos econômicos, políticos, sociais e culturais.

Esta carta traduz nossos sonhos de futuro apoiados no compromisso político de concretizar uma utopia construída sobre a rica bagagem cultural e religiosa acumulada ao longo dos anos, que representa uma enorme riqueza de nossos povos e nossas culturas, especialmente indígenas, negros e migrantes, constituindo uma herança tantas vezes desprezada. Este rico legado, somado à vitalidade dos movimentos sociais, habilita o surgimento de atores que têm “direito a ter direito” e são os forjadores de nossa diversidade cultural.

Com Dom Helder Câmara dizemos que “quando sonhamos sozinhos , é apenas um sonho; quando sonhamos juntos é o começo de uma nova realidade” (Mensagem de Natal, 1992).

Por isso fazemos essa convocação para a ação que, sem abandonar um olhar analítico e crítico sobre a realidade política, social, cultural, religiosa e comunicacional, busca a construção de uma nova cidadania comunicativa que contribua à plena vigência dos direitos humanos e das condições de uma vida digna.

Partilhando as incertezas naturais de quem está envolvido no processo histórico e social e sem pretender esgotar as propostas, mas com a firmeza de nossas convicções, saberes, experiências, sensibilidade e paixão, e inspirados e inspiradas pelo Evangelho de Jesus, sonhamos com:

1. Uma cidadania comunicacional que, no marco dos processos políticos e culturais, permita a participação criativa e protagônica das pessoas como forma de eliminar a concentração de poder de qualquer tipo para, assim, construir e consolidar novas democracias. Cidadania que não se pode pensar somente em termos jurídicos, mas também como uma atitude e uma condição associadas à reivindicação de ser reconhecido, de ter arte e parte nas decisões que afetam a vida em suas múltiplas dimensões, porque não há democracia política sem democracia comunicacional.

2. Uma palavra liberada de todo tipo de opressão e discriminação, para que se apropriem dela também os jovens e as jovens, os mais pobres e pequenos, como germe de uma cultura solidária.

3. Políticas públicas de comunicação elaboradas a partir da ideia de que a comunicação é um direito humano e um serviço público e nas quais haja espaço tanto para a iniciativa privada comercial, como para os meios estatais, os meios públicos não-governamentais e os comunitários.

4. Uma sociedade civil mobilizada para incidir politicamente na busca de uma comunicação livre, socialmente responsável, justa e participativa.

5. Cidadãos, comunicadores e atores sociais preparados para manter e vigiar práticas comunicativas democráticas, participativas, inclusivas e apoiadas em uma nova perspectiva integral de direito à comunicação.

6. Movimentos sociais, organizações populares, igrejas e instituições que se apropriem e incorporem, nas suas práticas comunicativas, os cenários e os processos das tecnologias da informação e as novas linguagens a fim de ampliar seu horizonte comunicacional e contribuir para a eliminação da brecha informativa e digital.

7. Responsáveis da gestão do Estado capazes de levar adiante políticas públicas e estratégias de comunicação destinadas a assegurar o direito à comunicação, através de ações pertinentes e efetivas, que eliminem as diferenças e as desigualdades que hoje existem em matéria de produção, acesso e circulação de todo tipo de bens culturais.

8. Cristãos comprometidos e organizados que, a partir da sua fé, tenham uma presença ativa e transformadora no campo da comunicação, incorporando as novas tecnologias no espírito e nas linhas de ação dessa carta.

Sonhamos, enfim, com comunicadores e comunicadoras:

• cuja prática profissional seja marcada pela vivência de uma cultura solidária, por critérios éticos e por uma vida coerente com esses princípios;

• que se reconheçam, acima de tudo, servidores do direito dos cidadãos a receber e emitir informação e opinião; que não se subordinem aos interesses e às pressões do poder político ou econômico porque estão comprometidos com a cidadania comunicacional;

• que estejam junto aos empobrecidos e incorporem seu olhar;

• que impulsionem o diálogo para enfrentar as contradições, inevitáveis em qualquer sociedade, com o objetivo de alcançar a paz e a justiça;

• que não se preocupem somente em ser plurais, mas igualmente em valorizar as diferenças surgidas no caminho da busca da verdade;

• que suscitem solidariedade a partir dos processos de comunicação;

• que saibam escutar e estar atentos especialmente ao clamor que emerge do murmúrio dos silenciados e, assim, contribuir para a visibilidade dos invisíveis de hoje.