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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Simplifique sua vida!

Tudo o que é belo tende a ser simples. Afirmação generalizante? Não sei. O que sei é que a beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins. Vida que se ocupa de ser só o que é.

Não há conflito nas bromélias, não há angústia nas rosas, nem ansiedades nos jasmins. Cumprem o destino de florirem ao seu tempo e de se despedirem do viço quando é chegada a hora. São simples.

Não querem outra coisa, senão a necessidade de cada instante. Não há desperdício de forças, não há dispersão de energias. Tudo concorre para a realização do instante. Acolhem a chuva que chega e dela extraem o essencial. Recebem o sol e o vento, e morrem ao seu tempo.

Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade. A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa. É o que é. Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora. Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa.

Já dizia o poeta: "Simplicidade é querer uma coisa só". Eu concordo com ele. O muito querer nos deixa complexos demais. Queremos muito ao mesmo tempo, e então nos perdemos no emaranhado dos desejos. Há o risco de que não fiquemos com nada, de que percamos tudo.

Aquele que muito quer corre o risco de nada ter, porque o empenho e o cuidado é que faz a realidade permanecer. O simples anda leve. Carrega menos bagagem quando viaja, e por isso reserva suas energias para apreciar a paisagem. O que viaja pesado corre o risco de gastar suas energias no transporte das malas. Fica preso, não pode andar pelo aeroporto, fica privado de atravessar a rua e se transforma num constante vigilante do que trouxe.

A simplicidade é uma forma de leveza. Nas relações humanas ela faz a diferença. O que cultiva a simplicidade tem a facilidade de tornar leve o ambiente em que vive. Não cria confusão por pouca coisa; não coloca sua atenção no que é acidental, mas prende os olhos naquilo que verdadeiramente vale à pena.

Pessoas simples são aquelas que se encantam com as coisas menores. Sabem sorrir diante de presentes simbólicos e sem muito valor material. A simplicidade lhe capacita para perceber que nem tudo precisa ter utilidade. E por isso é fácil presentear o simples.

Dar presentes aos complicados é um desafio. Não sabemos o que eles gostam, porque só na simplicidade é possível conhecer alguém. Só depois que as máscaras caem pelo chão e que os papéis são abandonados a gente tem a possibilidade de descobrir o outro na sua verdade.

Eu gostaria de me livrar de meus pesos. Queria ser mais leve, mais simples. Querer uma coisa só de cada vez. Abandonar os inúmeros projetos futuros que me cegam para a necessidade do momento. Projetos futuros valem à pena, desde que sejam simples, concretos e aplicáveis. Não gostaria que a morte me surpreendesse sem que eu tivesse alcançado a simplicidade. Até para morrer os simples têm mais facilidade. Sentem que chegou a hora, se entregam ao último suspiro e se vão.

Tenho uma intuição de que quando eu simplificar a minha vida, a felicidade chegará em minha casa, quando eu menos esperar. 
 
Autor: Fábio de Melo

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Só de ouvidos a quem te ama

Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história, fracassa.

Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai, faz de tudo para que o outro faça o que ele quer.

sexta-feira, 19 de março de 2010

XVI Congresso Eucarístico Nacional

XVI Congresso Eucarístico Nacional

Coincidindo com a data da comemoração dos 60 anos das Equipes de Nossa Senhora do Brasil o XVI Congresso Eucarístico Nacional inicia no dia 13 de maio e prossegue até o dia 16 de maio de 2010 em Brasília – DF. O Tema do Congresso é: Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários, e o Lema: Fica Conosco, Senhor! (cf. Lc 24,29)


Segundo informações do site oficial do evento (
www.cen2010.org.br), estão previstos para os quatro dias de festas: adoração ao Santíssimo Sacramento, celebrações eucarísticas, reflexões, exposições, vigília, palestras e evangelização. Tudo com a entrada gratuita.


O site ainda informa que o ponto central dos eventos será a Esplanada dos Ministérios, mas a programação envolverá outros locais: Ginásio Nilson Nelson, Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Complexo Cultural do Museu Nacional da República e a Paróquia Nossa Senhora do Lago. Como movimento de espiritualidade, conjugal devemos participar fisicamente ou com nossas orações e intenções dessa comemoração, que é celebrar Jesus Eucarístico no meio de nós!

MAGNIFICAT.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Veneração de Zilda Arns no Brasil

Irmã Maria Helena Arns, das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, em diálogo

FORQUILHINHA, quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Em primeiro lugar a irmã – entre as mais velhas de Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, que perdeu a vida no terremoto de Haiti – Ir. Maria Helena Arns se expressou sobre o luto pela irmã falecida e sua veneração no Brasil.

Enquanto Zilda era mãe de família que gerou seis filhos, a Irmã Maria Helena pertence à “Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora”, como também duas outras de suas irmãs de sangue.


Seu irmão Franciscano, Frei João Crisóstomo, faleceu em 2002, um outro Franciscano é o Arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Paulo Evaristo Arns. Com isso, dos 13 irmãos, cinco se consagraram a Deus. Irmã Maria Helena mora no lugar de nascimento de sua irmã Zilda, em Forquilhinha, Estado de Santa Catarina, no sul do Brasil, que ainda tem marcas fortes dos imigrantes alemães. O diálogo foi feito com Michaela Koller.


–ZENIT: Soubemos pela Irmã Rosangela Maria Altoé, a secretária internacional da Pastoral da Criança, que sua irmã Zilda Arns Neumann fora atingida mortalmente na Igreja Sacre Coeur de Turgeau em Porto Príncipe pelos destroços do teto da igreja.


–Irmã Maria Helena Arns: Depois da conferência para 150 pessoas, que na maioria já tinham se retirado da igreja, lugar da conferência, um sacerdote queria saber ainda mais sobre a Pastoral da Criança. Ele e mais 15 sacerdotes ficaram conversando, quando aconteceu o terremoto, e 15 deles perderam sua vida com a Zilda.


–ZENIT: Quais foram as suas reações imediatas e as da Pastoral da Criança quando a terrível notícia da morte foi confirmada?


–Irmã Maria Helena Arns: Foi um imenso choque não só para nossa família, mas para todo o Brasil. É muito difícil falar sobre este acontecimento... Em todas as Paróquias foi celebrada a Eucaristia, mesmo na Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. A maioria das coordenadoras da Pastoral da Criança conhecia Zilda pessoalmente ou pela televisão, nesses 27 anos. Os meios de comunicação, televisão, rádio, jornais, revistas, telefone, internet, em toda parte, era registrado o desfecho da Zilda. Numerosas pessoas deram um testemunho sobre a sua vida e missão, entre eles, Dom Angélico S. Bernardino (bispo emérito de Blumenau) sobre o título “Quem recebeu Zilda no Céu”, e Dom Walmor de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais, que escreveu um artigo muito lindo “Zilda Arns - pela Fé”.


–ZENIT: Como a Pastoral vai continuar agora?


–Irmã Maria Helena Arns: Há três anos Zilda entregou a coordenação nacional à Irmã Vera Lucia Altoé e assumiu a coordenação internacional da Pastoral da Criança, que já se estendeu para 20 países, na América Latina, Ásia e África. Zilda também fundou a Pastoral da Pessoa Idosa em área nacional.


–ZENIT: Como está a expansão atual da Pastoral da Criança?


–Irmã Maria Helena Arns: A Pastoral da Criança já está atuando em todas as 272 Dioceses do Brasil, em 7.000 paróquias, 42.000 comunidades, com um “exército” de 260.000 voluntários, 92% mulheres, que acompanham 1.985.347 crianças pobres, 108.342 gestantes, de 1.553.717 famílias. No início a desnutrição das crianças era mais de 50% no Brasil, agora está em 3,1%. A mortalidade infantil, em 1983 era 82,8 entre 1000 crianças nascidas vivas. Hoje está em 13, nas comunidades pobres, acompanhadas pela Pastoral da Criança. Os dados são da última conferência da Zilda no Haiti.


–ZENTI: Como estão os esforços para fazer a Zilda Arns Neumann candidata para o prêmio Nobel da Paz, post mortem?


–Irmã Maria Helena Arns? O governador do Paraná, Roberto Requião, no seu discurso durante o velório, pediu ao Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que estava presente, que se empenhasse para que seja concedido a Zilda o Prêmio Nobel da Paz. Lula deu resposta positiva.


–ZENIT: Já devem ter surgindo vozes, também da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sobre a possibilidade de abrir o processo de Beatificação...


–Irmã Maria Helena Arns: Foi um Bispo que se exteriorizou aos meios de comunicação sobre isso. A CNBB toma grandes decisões nunca fora da Assembleia Geral da CNBB, com todos os Bispos. Mesmo muitos leigos e religiosos falando sobre isso, seria cedo para julgar. A “Revista Veja” a considerou “Uma santa na vida e uma mártir na morte”. Nós sabemos que a Igreja age devagar e com muito cuidado no caso de Beatificação e Canonização, e isso com tempo.


–ZENIT: No entanto, já aparecem venerações leigas, dando o nome de Zilda a inaugurações.


–Irmã Maria Helena Arns: Sim, um parque em São Paulo foi inaugurado com o nome Parque Zilda Arns. Recebeu este nome no dia do enterro da Zilda. Ele fica no Bairro Jardim Grimaldi, perto da Avenida Sapopemba.


–ZENIT: Nós agradecemos e lhe queremos expressar novamente nossa condolência.


–Irmã Maria Helena Arns: Muito obrigada pela sua condolência pelo falecimento de minha querida irmã Zilda. O Espírito Santo queira lhe inspirar sempre como o fez para o grande Apóstolo São Paulo. Depois de 2.000 anos ainda lemos suas cartas com muito fervor. É questão de salvar o nosso Planeta e o Povo de Deus; por um mundo melhor. Tenho certeza que Zilda colaborou para isso e ainda o fará.

[Entrevista concedida a ZENIT originalmente em alemão. Tradução ao português da própria Irmã Maria Helena Arns]

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Padre Fábio de Mello fala do celibato

Há pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar. Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família. Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar.

Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade
interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa
ao contexto do "pode ou não pode". A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar,
não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim
a possibilidade de ser daqueles que precisam de minha presença.

Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo. Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou a ser padre, e, quando escolhi sê-lo, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas
as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos.
É questão de maturidade. Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só.

Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz
sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas
para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento.
Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas.
Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia.
Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que
minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração.
Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que
poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente
ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar
em "propriedade privada". Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso.
Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo. Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras nem olhares. Não descobriram a beleza dos
detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo de mais, mas amaram de menos.
Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose
ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os
casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre
– É de livre e espontânea vontade que o fazeis?
– É simples.

Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto
mais sincero de nossas predileções.

(Pe. Fabio de Melo)