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sexta-feira, 25 de março de 2011

O santo padre sobre a Anunciação do Senhor

«O Verbo fez-se homem»

[…]

2. Desejamos hoje dar graças a Deus de modo especial pelo dom da salvação, que Cristo trouxe ao mundo com a sua Encarnação: «Et Verbum caro factum est O Verbo fez-se homem». Da contemplação deste mistério todos os crentes podem haurir uma nova energia espiritual para proclamar e testemunhar sem cessar Cristo, nossa única salvação, e servir fielmente o «Evangelho da vida» que ele nos confia.


Face a uma cultura da morte e aos ataques que, infelizmente, se multiplicam contra a vida do homem, nunca falte o empenho de a defender em cada uma das suas fases, desde o primeiro instante da concepção até ao seu fim. Oxalá a humanidade conheça uma renovada primavera da vida no respeito e no acolhimento de cada ser humano, em cujo rosto brilha a imagem de Cristo! Para isto rezamos juntos Àquela que «é uma mensagem de viva consolação para a Igreja na sua luta contra a morte» (Evangelium vitae, 105). […]


Fonte: Angelus - Papa João Paulo II - 25.03.2001

sexta-feira, 4 de março de 2011

Construir a casa sobre a rocha da Palavra do Senhor

Apresenta-se o comentário à liturgia do próximo domingo – IX do Tempo Comum Dt 11, 18; 26-28; 32 - Rm 3, 21-25a; 28 - Mt 7, 21-27 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). 
Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical.   

DOMINGO IX DO TEMPO COMUM
Leituras: Dt 11, 18; 26-28; 32 - Rm 3, 21-25a; 28 - Mt 7, 21-27

“Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática,... construiu sua casa sobre a rocha. Quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática... construiu sua casa sobre a areia” (Mt 7, 24-26).

sábado, 6 de novembro de 2010

32º DOMINGO COMUM (07.11.10)

Evangelho de Lucas 20, 27-38

“Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”
Mais uma vez, a nossa leitura exige que a gente tenha alguma noção dos partidos político-religiosos do tempo de Jesus. Depois de termos encontrado “os Fariseus”, “os Escribas”, e “os Herodianos”, agora entram em cena “os Saduceus”! Para entender a controvérsia no texto, é imprescindível conhecer algo sobre este partido.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

E Jesus dormia...

Nunca as águas foram tranquilas nem os ventos favoráveis. Ou melhor, o tempo da tranquilidade foi o mais perigoso


Quando menos se espera levanta-se uma tempestade. Num lago rodeado de montanhas, aparentemente protegido. Com pescadores experimentados, batidos por todos os ventos e habituados às águas agitadas. Da arte de marear todos sabiam mais que Jesus. Todos, porém, para Ele se voltam pedindo socorro. E Ele parecia nem ouvir os primeiros gritos de aflição, pois simplesmente dormia. Como não sentiu o bramir das ondas ou os roncos do vento ou a braveza daquele pequeno oceano. Mas os discípulos, com o pânico na alma pediram socorro. Possivelmente os gritos eram mais medo que perigo real. O medo é um terrível inimigo para os que navegam em qualquer embarcação da vida. Com um ligeiro sinal, Jesus acalmou a tempestade. E chegaram tranquilamente à margem aqueles que quase se consideravam náufragos.

E a barca da Igreja. Ventos e tempestades, Pedro e os outros, sopros do Espírito e violência de vagas alterosas para uma nau que sempre se reconheceu como frágil. Sempre assim foi na sua história. Nunca as águas foram tranquilas nem os ventos favoráveis. Ou melhor, o tempo da tranquilidade foi o mais perigoso, deixando as mãos fora do leme, o olhar distraído do farol, os pescadores esquecidos da missão, os mestres de bordo entretidos com fardas e galões. Estonteados com o poder aliaram-se a ricos e criaram silêncios cúmplices. Até que uma onda, um baixio, uma escuridão repentina, um mar de levante, pareciam apoderar-se do barco e provocar-lhe um tombo ou um rombo não distante dum possível naufrágio. Como sempre todos se voltam para o Mestre pedindo a acalmia do vento e das águas quantas vezes adversas por desleixo dos timoneiros.

Assim foram rolando as ondas do tempo e as vagas dos séculos, as espumas dos modos e modas, as fraquezas dos lemes que muitas vezes perderam o sentido do porto. E o Mestre sempre lá, acompanhando a viagem, vigiando o mar numa espécie de sonolência distraída e desinteressada desse percurso breve de séculos e milénios, insignificantes, face aos oceanos da eternidade.

Desde que partiu do cais de embarque a Igreja mesmo una e santa acumulou traições, pecados, corrupção de poderes e costumes, rasgos cruéis na túnica inconsutil, concubinatos sacrílegos do sagrado com o profano, volúpias de grandeza e oiro, estreiteza orgulhosa de olhares intolerantes sobre pecadores e dissidentes. Tudo isso ao lado do coro imaculado e vibrante dos Cento e Quarenta e Quatro Mil que nunca deixaram de entoar ao Cordeiro o hino sempre novo da humanidade remida e do Ressuscitado que recebe os frutos da semente do bom semeador. E que nos pergunta nas viagens das nossas pequenas tormentas: porque temeis, homens de pouca fé?

Conego Antonio Rego - Portugal

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Papa incomoda muita gente


+ D. Cristiano Krapf, bispo de Jequié

Jequié, 31 de março de 2010                       

            Pessoas incomodadas fogem dos desafios dos ensinamentos de Jesus com as exigências do Evangelho que o Papa tem a coragem de apresentar ao mundo de hoje sem acomodações à mentalidade do tempo. Muitos procuram desacreditar o mensageiro para enfraquecer a mensagem.

            Ficam remexendo na lata de lixo da história para fazer propaganda dos erros cometidos por pessoas da Igreja em vinte séculos. O exemplo negativo mais citado é o Papa Alexandre VI, um homem muito ambicioso que teve três filhos no tempo que era Cardeal. Seus inimigos cuidaram de multiplicar seus pecados. A revista VEJA chega a dizer que ele teve inúmeras amantes e filhos.

 Mesmo quem não acredita em tanto exagero se pergunta como foi que a Igreja sobreviveu. Desde o início, ela superou escândalos como a traição de Judas e a negação de Pedro que os evangelhos não escondem.

            Um artigo da VEJA desta semana apresenta de maneira tendenciosa casos de pedofilia de padres para atingir a Igreja e o Papa que teria acobertado tais abusos. Fala de dezenas de milhares de pessoas que foram agredidas física ou sexualmente por membros da Igreja na Irlanda no século passado.  Botam na mesma panela com crimes de pedofilia os castigos físicos em casas de recuperação, coisa corriqueira na educação naquele tempo, especialmente nas tentativas de reeducação de jovens infratores.

            VEJA traz acusações de um advogado de cinco homens que no tempo de meninos sofreram abusos de um padre. Diz que o padre não foi punido pelo Cardeal Ratzinger, apesar das denúncias levadas a Roma trinta anos depois.  O caso é apresentado como prova que, para o Vaticano, defender os próprios interesses é mais importante que mitigar os sofrimentos das vítimas. VEJA omite o fato que a justiça civil não achou provas para condenar o malfeitor e que o padre estava tão velho e doente que já não era perigo para ninguém. 

            Outra prova trazida para dizer que o Papa era condescendente com padres pedófilos: Acolhida de um padre acusado em outra diocese, no seu tempo de arcebispo de Munique. O texto omite que o padre foi acolhido para tratamento psiquiátrico. Munique tinha 1700 padres. Naquele tempo ainda não estava tão claro que pedofilia não tinha cura. Nossa diocese tem apenas 40 padres, e o bispo não tem o poder de prevenir um passo errado de algum.

            Qualquer dia destes vai aparecer alguém a denunciar o próprio Jesus como culpado pela traição de Judas. Segundo o condiscípulo João, Judas já tinha precedentes de surrupiar dinheiro da caixa comum, em vez de ajudar os pobres. Por que Jesus não mandou embora o administrador corrupto?

            Aliás, já não falta quem diga que o próprio Deus seja culpado pelos pecados dos homens, a começar com a queda do primeiro casal, na tentação de comer do fruto proibido. Segundo Saramago bastava que Deus fizesse uma boa cerca para impedir que chegassem perto daquela árvore atraente. Para que não pudessem pecar nem precisava fazer cerca. Bastava não criar tal árvore para evitar qualquer tentação. Ou não proibir nada. Ou não nos dar o presente perigoso da liberdade e da responsabilidade. Ou interferir com seu poder, toda vez que alguém quisesse fazer uma coisa errada. Se você gosta de filosofia, tente imaginar o que você faria se estivesse no lugar de Deus. Criaria apenas robôs ou bichos programados para não poder fazer nada de mal?

            Seria melhor que a Igreja ainda tivesse o poder de polícia como na idade média? A missão da Igreja é tentar educar os fiéis para a responsabilidade. Pode suspender um padre do uso de ordem, mas não pode prender ninguém. Nem pode impedir que qualquer um se apresente como bispo, ou que igrejas fundadas no século passado se apresentem como igreja católica. Notícias de escândalos com falsos padres e bispos respingam sobre a Igreja. Quanto a práticas homossexuais, fica perigoso condenar. Podem surgir acusações de homofobia. Tempos de confusão. Tempos difíceis para o Papa e para bispos. 

Perguntas aos que acusam o Papa de ter acobertado padres pedófilos

1.      Por que será que tantos ficam incomodados com os recados do Papa?

2.      Por que fazem tanta propagando de coisas erradas na Igreja?

3.      Por que aproveitam os casos de pedofilia de padres para acusar o Papa de falta de firmeza no trato do problema?

4.      Se os juízes brasileiros têm tanta dificuldade em julgar casos atuais de corrupção que acontecem debaixo do seu nariz, como querem os julgadores do Papa que seja fácil para o Vaticano julgar casos antigos e distantes denunciados décadas depois?

5.      Por que será que as denúncias sobre casos antigos de difícil verificação aumentaram tanto, quando denunciantes e seus advogados passaram a ganhar  indenizações da Igreja?

6.      Quantos são os incomodados com as exigências de um Papa intransigente na doutrina e na moral?

7.      Querem atingir o mensageiro para enfraquecer a mensagem?