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quarta-feira, 24 de março de 2010

Pastoral Digital

O desejo da Igreja é que saibamos colocá-la a serviço da Palavra





Fiquei em dúvida se chamaria esta nova forma de pastoral da comunicação de digital, de ciberespaço ou cibernética. Atualmente os termos envelhecem rapidamente. O tempo e os desenvolvimentos futuros dirão e escolherão os passos, caminhos e nomes para essa missão da comunicação nesta época.


Acredito que uma nova maneira de fazer pastoral de comunicação está sendo suscitada pela Igreja através da mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Como ocorre o Ano Sacerdotal, o tema tem essa referência, mas, sem dúvida, é dirigido a todos os católicos: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: as novas mídias a serviço da Palavra”. Como sempre acontece no Brasil, esse dia é celebrado no Domingo da Ascensão, este ano no dia 16 de maio de 2010.

Um grande passo foi dado. Havia na cabeça e no comportamento de muitos certo medo das novas mídias ou novas ferramentas de internet, por ser esse um território livre, onde há de tudo. É um medo infundado, pois se assim o fosse não poderíamos estar no ramo dos livros e das revistas porque existem muitos livros e revistas que não são recomendáveis para os cristãos e talvez nem para as pessoas de certa dignidade.

Estávamos presentes nesses meios com certa timidez e até mesmo com certo temor. Sabemos, porém, que os “digitais nativos” já utilizam essas mídias com desenvoltura e naturalidade incríveis e, quando cristãos, sabem utilizar muito bem tudo isso para um trabalho evangelizador. Podemos anunciar que o desejo da Igreja é que saibamos colocar as novas mídias a serviço da Palavra, ou seja, de Cristo, fazendo agora a pastoral digital ou no mundo digital.

A nossa Comissão Episcopal enviará às Dioceses cartazes e textos com os subsídios para bem celebrar esse dia em todas as comunidades e paróquias, aliás, é o único dia criado pelo Concílio Vaticano II. Isso está no documento "Inter Mirifica", um dos dois mais antigos documentos emanados do Concílio. Ele inicia, além da série de importantes documentos para a renovação da Igreja na década de sessenta, também uma orientação para os novos tempos que estavam surgindo naquela época no campo dos meios de comunicação. A Igreja tem como missão evangelizar, ou seja, comunicar a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, que foi enviado pelo Pai para nos comunicar a Sua Vontade. Se o documento conciliar é apenas indicativo, ele abriu, no entanto, os caminhos para as diferentes situações que se seguiriam posteriormente. Cada ano, os Pontífices Romanos anunciam, na festa dos Arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel, o tema anual e publicam o texto no dia da Festa de São Francisco de Sales.

Saudamos carinhosamente os que se dedicam a essa missão e incentivamos para que o façam com ânimo sempre renovado – de levar todos os homens e mulheres a construírem uma sociedade justa e fraterna, além de alimentar a fé do nosso povo através de escritos, filmes, Power points e tantos outros meios. Quando, neste ano, tivermos a graça de criar a “Signis Brasil”, como filial da Signis Mundial, também ali deverá ter um setor para os portais de inspiração católica se filiarem, além das rádios, televisões, revistas, jornais e impressos. Atualmente temos ótimos portais de notícias ligados a grupos católicos que, além de passarem os acontecimentos, formam, através de eventos e textos, as pessoas no caminho cristão. A grande questão é saber escolher a reta doutrina e aqueles que sabem construir a unidade na diversidade. Isso está entre outras iniciativas louváveis, somente para recordarmos das propostas que são colocadas diante de nossas telas de formação permanente da doutrina cristã, de anúncio da Palavra de Deus e de notícias acerca da vida da Igreja no Brasil e da vida das próprias dioceses, paróquias e comunidades.

Urge uma conversão pastoral de nossos presbíteros, como nos pede o Papa para o Dia Mundial das Comunicações, em colocar, como meta primeira de sua pastoral, a pastoral da comunicação e da acolhida, que hoje não pode prescindir de ser, também, da internet e dos meios correlatos.

Não tenho dúvidas de que a Igreja que peregrina no Brasil está fortemente amparada na vontade deliberada de dar especial apoio a todos os sites e meios eletrônicos que anunciem o Cristo Ressuscitado e que levem o homem e a mulher de nossos dias a buscar a santidade pelo conhecimento e pelo seguimento apaixonado pelo Redentor.

A todos uma bela e comprometedora celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais, e que isso ajude a criar ou incrementar ainda mais a Pastoral da Comunicação em nossas comunidades e abrir-nos para o diálogo com os comunicadores de nossa região.


Dom Orani João Tempesta

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

sexta-feira, 19 de março de 2010

XVI Congresso Eucarístico Nacional

XVI Congresso Eucarístico Nacional

Coincidindo com a data da comemoração dos 60 anos das Equipes de Nossa Senhora do Brasil o XVI Congresso Eucarístico Nacional inicia no dia 13 de maio e prossegue até o dia 16 de maio de 2010 em Brasília – DF. O Tema do Congresso é: Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários, e o Lema: Fica Conosco, Senhor! (cf. Lc 24,29)


Segundo informações do site oficial do evento (
www.cen2010.org.br), estão previstos para os quatro dias de festas: adoração ao Santíssimo Sacramento, celebrações eucarísticas, reflexões, exposições, vigília, palestras e evangelização. Tudo com a entrada gratuita.


O site ainda informa que o ponto central dos eventos será a Esplanada dos Ministérios, mas a programação envolverá outros locais: Ginásio Nilson Nelson, Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Complexo Cultural do Museu Nacional da República e a Paróquia Nossa Senhora do Lago. Como movimento de espiritualidade, conjugal devemos participar fisicamente ou com nossas orações e intenções dessa comemoração, que é celebrar Jesus Eucarístico no meio de nós!

MAGNIFICAT.

quinta-feira, 11 de março de 2010

OS MELHORES LUGARES PARA SE VIVER NO MUNDO



A Revista Businessweek publicou a lista com os melhores lugares do mundo para se viver. Sydney apareceu em décimo lugar. Sinceramente acho que faltaram alguns lugares, mas como a lista não é minha não vou me meter.

A qualidade de vida em Sydney é muito boa, mas é notável que ela tem caído em todas estas listas todos os anos, não vou me surpreender se daqui a 10 anos ela estiver fora do top 20, não por não ser uma cidade boa, mas por não ser tão boa nos índices que medem a qualidade de vida nestas cidades.

Um dos fatores que pra mim Sydney vem perdendo posições é o alto preço dos alugueis.

Já outra cidade injustiçada, que a meu ver deveria estar um pouco mais acima na lista é Melbourne. Melbourne ano passado passou Sydney em número de imigrantes escolhendo a cidade como local de residência. Hoje quem vem pra Austrália está indo mais pra Melbourne do que ficando em Sydney.

Pessoalmente gosto de Melbourne, não sei se moraria lá, pois já estou muito acostumado com Sydney e estou me tornando como aqueles Nova Iorquinos que não saem da cidade pra nada.

Zurique na Suíça ficou em primeiro lugar na lista, seguida pro Viena e Genebra. Agora eu sei por que estes suícos quando vem estudar inglês aqui voltam correndo para seus países.

Segue a lista completa abaixo


1º Zurique, Suíça


2º Viena, Áustria

3º Genebra, Suíça

4º Vancouver, Canadá

5º Auckland, Nova Zelândia


6º Dusseldorf, Alemanha

7º Munique, Alemanha


8º Frankfurt, Alemanha


9º Bern, Suíça

10º Sydney, Austrália

11º Copenhaga, Dinamarca


12º Wellington, Nova Zelândia


13º Amsterdã, Holanda



14º Bruxelas, Bélgica



15º Toronto, Canadá


16º Berlim, Alemanha


17º Melbourne, Austrália


18º Luxemburgo, Luxemburgo


19º Ottawa, Canadá

20º Estocolmo, Suécia

21º Honolulu, EUA



(imagens:Getty Images)

sexta-feira, 5 de março de 2010

“LOURDES”, O FILME PELO QUAL NINGUÉM ESPERAVA

Em geral, os murmúrios despertados por um filme de tema católico suscitam maus presságios a respeito de seu conteúdo sacro.

Exceção feita ao filme de Mel Gibson “Paixão de Cristo”, de 2004, quanto maior a atenção dada a um filme que trate de religião, maiores são as chances de que este seja hostil aos católicos.

Por tudo isso, quando “Lourdes”, filme da diretora austríaca Jessica Hausner, foi exibido no Festival de Cinema de Veneza, e venceu um prêmio da União dos Ateus (ainda que, para mim, o prêmio ateu de cinema por excelência seja mesmo a Palma de Ouro), eu esperava pelo pior.

Hausner, entretanto, me pegou completamente de surpresa com seu filme caloroso e muito humano; não piedoso, mas respeitoso; que não evangeliza, mas também não rejeita.

A trama gira em torno de uma menina francesa, Christine, presa a uma cadeira de rodas por uma enfermidade que poderia ser esclerose múltipla. Seus braços paralisados parecem condená-la definitavamente à cadeira. Etérea e com olhos grandes, não é uma imagem que desperta piedade; é a imagem de um outro mundo, a de um contexto desconhecido.

Christine não é particularmente devota, e dirige-se a Lourdes, principalmente, pela companhia, e para trocar de ambiente, mais do que por uma esperança de uma cura milagrosa. É a primeira a dizer que prefere os “lugares culturais, como Roma, aos religiosos” (ganhando assim imediatamente minha simpatia). Movida por simples espírito de camaradagem, junta-se à multidão de pessoas de todas as cores, línguas e doenças – sejam espirituais ou físicas – que se encontram reunidas em Lourdes.

Hausner não esconde a exploração comercial dos santuários. O enorme comércio de souvenirs e a massiva infra-estrutura turística mostram bem como são os negócios em Lordes. Tendo vivido em Roma e estado recentemente na Terra Santa, o filme me tocou por sua justaposição entre o sagrado e o profano. Quando Hausner permite, porém, que a Basílica de Lourdes entre em cena, os enfeites de plástico dão lugar à imponente majestade da igreja.

A impressionante construção se opõe às colinas e ao céu, como um símbolo de algo muito superior às atividades comerciais que se dão ao seu redor.

O filme leva o espectador a Lourdes através do olhar de Christine, que, como os outros, entra na fila para tocar as paredes da Gruta, banhar-se nas águas e receber a unção dos enfermos. Em nenhum momento Hausner ridiculariza a fé dos fiéis ou suas orações para obter saúde; mas leva o espectador a um mundo no qual os doentes constituem um grupo privilegiado, e no qual os que têm saúde são os curiosos.

O som desempenha um papel importante na obra, com o ruído das vozes substituindo a trilha sonora e o som de cadeiras e pés arrastados fornecendo a percussão. Os sons ásperos da vida cotidiana se suavizam apenas nas cenas que retratam as cerimônias sacras, nas quais o público é aliviado pelos cantos, o som de um órgão ou pela "Ave Maria".

O pacífico sacerdote de feições redondas que acompanha o grupo é apresentado de maneira positiva, distante das caricaturas de sacerdotes tão comuns no cinema contemporâneo. Acentua o verdadeiro propósito de Lourdes: não curar o corpo, mas ajudar as pessoas a aceitar a vontade divina como fez a Mãe de Deus. Apresenta a questão chave: um corpo paralisado pela doença traz mais dor do que uma alma paralisada pela dúvida e pelo medo? Sua fé tem raízes sólidas, mas nem mesmo ele está imune à tentação de degustar a luz de um milagre.

Neste filme, os católicos apreciarão a figura de uma senhora idosa que reza pela cura de Christine e está sempre preocupada com ela. Sua fé simples, sua intercessão constante e, finalmente, a confissão Christine, terão como fruto o fato de que a jovem paraplégica voltará a andar.

A “cura” é apenas um ponto no meio do filme. As verdadeiras indagações serão colocadas a partir de então. É uma regressão da doença? É uma intervenção divina? É definitiva? O que fará Christine a partir dela? Onde termina o trabalho daquele que intercede, e qual será o preço desta cura?

Se Christine estava presa à cadeira de rodas como uma criança, logo se tornará uma adolescente. Agora que sua doença física desapareceu, estará à mercê de sua fraqueza espiritual. Como os voluntários da Ordem de Malta, apresentados flertando, bebendo e fazendo piadas de teor cético, tenta participar dos divertimentos a que não tivera acesso por sua doença.

Ainda que esta cena possa ser entendida como uma referência à hipocrisia ou a uma falta de sentido da religião, estas questões me atingiram profundamente e as considero muito humanas. Deixam um senso de esperança para todos nós.

Embora não se trate de um filme fácil, a ausência de blasfêmias, nudez ou profanações em “Lourdes” é muito reconfortante, e a narrativa é capaz de atingir com sucesso o público moderno, que tende a ver os santuários como um mero negócio lucrativo, abrindo espaço para um debate pacífico e equilibrado sobre a fé.

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* Elizabeth Lev leciona Arte e Arquitetura Cristãs no campus italiano da Duquesne University e no programa de Estudos Católicos da Universidade San Tommaso. Pode ser contatada no e-mail: lizlev@zenit.org

quinta-feira, 4 de março de 2010

“Novo ataque à Moral e à Vida”

Recebi há alguns dias um artigo de jornal intitulado “Pulseiras do sexo e da discórdia”. Este artigo começa assim: Adereço, com conotação sexual, virou febre entre os adolescentes, mas preocupa os pais.

Li com atenção e indignação este artigo, crescendo dentro de mim um sentimento profundo de compaixão pelas crianças, adolescentes e jovens que mais uma vez são violentados na sua moralidade por adultos irreverentes, maldosos e interesseiros que procuram ganhar dinheiro em cima da fraqueza e da inocência das crianças que começaram a usar os novos tipos de pulseiras que induzem ao uso da sexualidade antes do tempo.
O artigo é de Vitor Ferri que coloca também o endereço eletrônico ao abrir o seu escrito. Ele diz assim: “à primeira vista, uma colorida pulseira de plástico nos pulsos das crianças parece inocente. Mas, na realidade elas são um código para experiências sexuais, onde cada cor significa um grau intimidade, desde um abraço até ao sexo propriamente dito.
A moda, iniciada na Inglaterra, se disseminou pelo mundo, principalmente via internet. Quem as usa está automaticamente participando de um tipo de jogo, (o Snap), que funciona assim: uns tentam arrebentar a pulseira do outro. Aquele que consegue, ganha o direito ao “ato” ao qual a cor da pulseira corresponde. As cores são assim distribuídas:
Amarela: abraço – Rosa: Mostrar o peito – Laranja: dentadinha de Amor – Roxa: beijo com a língua e talvez sexo – assim vão todas as cores até a cor dourada que dá direito a fazer todos os atos das doze cores.
É um absurdo que merece um ação especial do Juizado de menores, dos pais, das escolas, da Igreja, da Polícia e de uma forma bastante rígida um levante de toda a sociedade, pois levados pelas modas os adolescentes e as crianças que não conhecendo a malícia da coisa, acabam sendo violentados na sua intimidade.
Eu convido você que leu este artigo a passá-lo à frente e entrar numa campanha contra a fabricação, a venda e o uso destas tais pulseiras, pois calar é consentir que esta barbaridade se espalhe mais do que já se espalhou.
Pais, mães, mestres, avós e todos de boa vontade que buscam o bem defendam seus filhos, seus netos e as crianças de todo o mundo e demos juntos um basta a tamanha desonestidade.

Madre Maria José do Espírito Santo, CMES.

terça-feira, 2 de março de 2010

Lutem contra isso - Folha de São Paulo - CARLOS HEITOR CONY: Jesus era gay? E daí?

LEIAM E PERCEBAM ONDE A MISÉRIA HUMANA PODE CHEGAR. FALTA DE CONHECIMENTO DE SI E FRUSTRAÇÃO.

NA INTEGRA DA FOLHA DE SÃO PAULO:

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CARLOS HEITOR CONY Jesus era gay? E daí?

DE TEMPOS em tempos, quando ninguém tem mais nada a dizer e os jornais a publicar, desencavam a figura mais problemática da história da humanidade: nada menos que Jesus Cristo. Antes de mais nada, um ser teologicamente composto de duas naturezas, a divina (para os seus crentes) e a humana, para o resto. Não vem ao caso discutir a natureza divina do personagem, pouco entendemos dos deuses, até mesmo a teologia, que deveria entender do assunto, limita-se, no fundo, a esclarecer que o homem jamais entenderá a natureza de Deus, nem entender o próprio Deus em si.

Resta o homem e aí começa a confusão. Há mesmo aqueles que chegam a negar ou a duvidar de que um dia existiu um Jesus de Nazaré, tal como a história mais ou menos moldou, personagem que teria vivido na Judeia, então província do Império Romano, cujo procurador, na época final de sua vida, foi Pôncio Pilatos, sendo Herodes o rei local que, aliás, não mandava nada.

Esse personagem, mesmo limitado à sua natureza humana, dividiria as duas eras em antes e depois dele. Se realmente não existiu, nossa contagem de tempo reside num equívoco que não seria o único da história. Mas, se existiu, é extraordinária a sua importância, mesmo em seu aspecto humano, desprezando-se, para argumentar, a sua essência divina -que fica reservada aos crentes.

É, de longe, o personagem mais estudado e citado na crônica dos homens, a começar que, de estalo, teve diversos biógrafos, sendo quatro deles (Mateus, Lucas, Marcos e João) aceitos mais ou menos como os mais verazes, e, a partir dos quais, criou-se, com a ajuda de Paulo de Tarso, a pedra angular do cristianismo, religião dominante no Ocidente até hoje. Religião que deu um subproduto tão importante como o próprio cristianismo: o catolicismo.

Pelo vigor histórico das duas crenças, o cristianismo e o catolicismo, este último foi estruturado na instituição mais antiga do Ocidente, a Igreja Católica Apostólica Romana, cuja presença na história se confunde, em muitos lances, com a própria história.

De tempos em tempos -como ia dizendo- surgem palpiteiros de diversos quilates ou sem nenhum quilate, que, 21 séculos depois, descobrem a vida íntima desse personagem. Um deles, dando continuidade a lendas surgidas aqui e ali na imensidão do Império Romano, que, afinal, foi destruído por fora pelos bárbaros, por dentro pelo próprio cristianismo. Jesus seria casado ou amasiado com Maria Madalena, gerou filhos cuja estirpe seria confundida com o cálice cheio de sangue "divino", em cuja busca foram criadas lendas paralelas.

Sem nenhuma autoridade, semana passada um cantor pop descobriu que Jesus, entre outras coisas maravilhosas, era gay. Fica difícil conhecer o roteiro de pesquisas que levaram o cantor a tal descoberta.

Limitado em sua natureza humana, Jesus seria um judeu religioso, tendo como norma de sua vida terrena a lei fundamental dos judeus, que passou para os cristãos: os dez mandamentos, entre os quais o sexto, que prega a castidade. A homossexualidade é condenada no Antigo Testamento, e o novo, a partir do próprio Jesus, estendeu a mesma condenação.

O conceito e a prática do homossexualismo é hoje um tema moderno, e os seus praticantes mais radicais procuram retroagir na história, levando para a sua grei um personagem que, mesmo despojado de sua natureza divina, foi, como homem, um seguidor do código mosaico.

Um cantor pop tem o direito de ser analfabeto, comprometendo-se apenas a justificar a sua preferência sexual com exemplos tirados da história. Tarefa inútil, pois muitos dos grandes vultos da crônica humana foram homossexuais assumidos ou não. E daí?

Tendo como base frases isoladas dos evangelhos que falam sobre o amor dos homens, sem qualquer autoridade no campo da erudição, alguns homossexuais como que ainda têm vergonha de serem o que são e apelam para exemplos que ninguém pediu nem se guiou por eles.
Como natureza divina, como creem os cristãos, Jesus não pode ser julgado por conceitos humanos. Como homem, tem interpretadores bem mais capazes e isentos para falar dele.

Fonte: Folha de São Paulo