sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Pré missões Turmalina - MG 2011.wmv
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Daniel Fagundes
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Operários da Vinha
A parábola dos trabalhadores enviados para trabalhar na vinha em horas diferentes do dia sempre criou perplexidade para as pessoas que a leem com os olhos voltados apenas para o interesse do capital. Estamos no XXV domingo do Tempo Comum e o texto do Evangelho é Mt 20,1-16a). A pergunta que ressoa no coração das pessoas é se é aceitável o modo de fazer do patrão que dá o mesmo pagamento para quem trabalhou um dia inteiro e a quem trabalhou uma hora por dia. Não viola, isso, o princípio da justa recompensa?
Os sindicatos se levantariam em coro, hoje, se alguém fizesse o que fez esse patrão. A dificuldade surge a partir de um mal-entendido. Considera-se o problema da recompensa em abstrato ou, e, em geral, em referência à recompensa eterna no céu. Visto dessa maneira, ele realmente contradiz o princípio de que Deus "dá a cada um segundo suas obras" (Rm 2, 6).
Mas Jesus está se referindo a uma situação concreta, a um caso muito específico. O único dinheiro que é dado a todo o Reino dos Céus que Jesus trouxe à Terra é a oportunidade de fazer parte da salvação messiânica. A parábola começa dizendo: "O reino dos céus é semelhante a um proprietário que saiu...". O problema é, mais uma vez, aquele da posição de judeus e gentios, ou de justos e pecadores, em relação à salvação anunciada por Jesus. Também se os pagãos (respectivamente, os pecadores, os cobradores de impostos, as prostitutas etc.) somente diante da pregação de Jesus decidiram-se por Deus, enquanto antes estavam distantes ("ociosos") e nem por isso ocuparão uma posição diferente no Reino ou inferior. Também esses sentarão à mesma mesa e desfrutarão da plenitude dos bens messiânicos. Na verdade, porque esses se demonstram mais dispostos a aceitar o Evangelho, do que aqueles chamados "justos"; eis que se realiza aqui o que Jesus diz na conclusão da parábola de hoje: "Os últimos serão os primeiros e os primeiros últimos".
A parábola contém um ensinamento de ordem espiritual da máxima importância: Deus chama a todos e chama em todas as horas. O problema, é, em suma, da chamada, mais do que aquele da recompensa. Esta é a maneira com que esta parabóla foi utilizada na exortação de João Paulo II sobre a "vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo" (Christifideles laici). "Os fiéis leigos pertencem àquele povo de Deus que é prefigurado aos trabalhadores da vinha... Ide também vós para a minha vinha. A chamada não é apenas para os pastores, sacerdotes, religiosos e religiosas, mas estende-se a todos. Mesmo os fiéis são pessoalmente chamados pelo Senhor "(CL 1-2).
Mas assim mesmo podemos reflletir sobre uma questão social importante: o problema do desemprego. Quando perguntou ao mestre: "Por que estais aqui ociosos o dia todo"? Os trabalhadores disseram: "Ninguém nos contratou". Esta resposta poderia ser dada hoje por milhões de desempregados que se encontram sem ocupação.
Na paróbola aparece o patrão que ao ver os trabalhadores desempregados às cinco da tarde concorda em levá-los mesmo quando eles serão inúteis no trabalho, só para lhes dar a dignidade, ao menos para lhes oferecer a oportunidade de ter um salário e sustentar sua família. Nós ouvimos como foi feito o acordo com os trabalhadores na primeira hora: uma quantidade de dinheiro será a sua recompensa. No momento do pagamento, o proprietário começa a pagar a partir dos últimos, dando-lhes a mesma quantia que tinha combinado com os primeiros. Então, pensaram os primeiros, a nós dará mais que o combinado. Entretanto, também esses recebem o mesmo que os últimos, ou seja, o que havia sido combinado. Ficam chateados, é claro, e murmuram entre si. Eles estão certos, podemos pensar, afinal esta atitude não está correta, pois muitos de nós com eles iríamos protestar, pedindo algum dinheiro a mais. Mas aquilo que receberam, no tempo de Jesus, era o salário mínimo diário, a fim de alimentar uma família... O patrão se preocupa e faz o bem. É bom e correto e depois revela a maldade escondida pelos primeiros trabalhadores. Antes da justiça existe a misericórdia, acima da lei e do contrato existe a atenção pela sobrevivência.
Aquele patrão sabe que os trabalhadores da última hora têm as mesmas necessidades dos outros; eles também têm filhos para alimentar, como há aqueles da primeira hora. Dando a todos o mesmo pagamento, o patrão mostra não só levar em conta os méritos, mas também a necessidade, diferentemente da mentalidade utilitarista, baseada exclusivamente em premiar o mérito (com frequência mais nominal que real) e pela antiguidade, e não sob as necessidades de cada pessoa. A parábola dos trabalhadores da vinha nos convida a encontrar um equilíbrio mais justo entre as duas exigências: do mérito e da necessidade.
No contexto da vinha do Senhor, neste domingo, 18 de setembro, receberemos em São Paulo, oriunda de Madrid, a Cruz e o ícone de Nossa Senhora, que vão peregrinar pelo Brasil e parte da América Latina em preparação à JMJ 2013 Rio de Janeiro. Que estes sinais da nossa fé nos animem a nos preparar condignamente para participar da Vinha do Senhor!
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Onde é a casa do povo?
A resposta a essa pergunta inclui muitas referências importantes por tratar-se de povo. Numa sociedade nada é mais importante do que o povo, sua cultura, seus valores, suas demandas e necessidades. Tem importância fundamental a sua casa. É referência ao respeito que o povo merece e o compromisso com a própria vida. Revela o seu equilíbrio e o horizonte que a inspira na justiça, no respeito ao direito e no apreço irrestrito à dignidade humana, com o compromisso de organizações e de funcionamentos que permitam e garantam a conquista da paz verdadeira.
Onde é a casa do povo? No rol de referências incontestáveis estão o parlamento da nação, as assembleias legislativas, bem como as câmaras municipais. É também casa do povo os lugares todos onde serviços relevantes e imprescindíveis como educação, saúde, lazer são prestados, visando garantias no âmbito dos direitos e necessidades - compromisso com uma vida qualificada, cidadã, entrelaçando homens e mulheres na luta pelas condições adequadas para a vida da família, dos grupos, associações e segmentos todos de uma sociedade.
A casa do povo não é o lugar de discriminação e preconceito, e está na contramão de todo tipo de marginalização ou despersonalização provocadora de prejuízos irreversíveis. O povo precisa de casa e deve sentir-se em casa - um elemento agregador na própria identidade e no fortalecimento da participação cidadã. A Igreja com suas comunidades é importante casa do povo. Incontestável e necessária, revela na sua configuração traços advindos dos valores sustentadores do equilíbrio indispensável para a vida das pessoas e sua inserção numa sociedade de valores. A Igreja com sua rede de comunidades, pelo serviço da espiritualidade essencial para a vida de todos os tempos, com o serviço social, a educação e outros programas e projetos, pauta seu funcionamento na dinâmica da comunhão e da participação. As diferenças, em razão de funções, responsabilidades e outras ações, não suplantam nunca a radical igualdade entre todos, pela condição batismal, a filiação divina. Todos são iguais, filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de Jesus Cristo.
Onde é a casa do povo? No rol de referências incontestáveis estão o parlamento da nação, as assembleias legislativas, bem como as câmaras municipais. É também casa do povo os lugares todos onde serviços relevantes e imprescindíveis como educação, saúde, lazer são prestados, visando garantias no âmbito dos direitos e necessidades - compromisso com uma vida qualificada, cidadã, entrelaçando homens e mulheres na luta pelas condições adequadas para a vida da família, dos grupos, associações e segmentos todos de uma sociedade.
A casa do povo não é o lugar de discriminação e preconceito, e está na contramão de todo tipo de marginalização ou despersonalização provocadora de prejuízos irreversíveis. O povo precisa de casa e deve sentir-se em casa - um elemento agregador na própria identidade e no fortalecimento da participação cidadã. A Igreja com suas comunidades é importante casa do povo. Incontestável e necessária, revela na sua configuração traços advindos dos valores sustentadores do equilíbrio indispensável para a vida das pessoas e sua inserção numa sociedade de valores. A Igreja com sua rede de comunidades, pelo serviço da espiritualidade essencial para a vida de todos os tempos, com o serviço social, a educação e outros programas e projetos, pauta seu funcionamento na dinâmica da comunhão e da participação. As diferenças, em razão de funções, responsabilidades e outras ações, não suplantam nunca a radical igualdade entre todos, pela condição batismal, a filiação divina. Todos são iguais, filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de Jesus Cristo.
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terça-feira, 26 de julho de 2011
O problema do mal
“Você acredita em Deus?”
Com essa pergunta, a jornalista terminava uma longa entrevista com um conhecido esportista nacional. A resposta que ele lhe deu chamou minha atenção, porque expressa o que muita gente pensa a respeito do problema do mal. O drama e a angústia do esportista são a angústia e o drama de inúmeras pessoas, em situações, épocas e lugares diferentes: “É difícil dizer que acredito em Deus. Quanto mais desgraças vejo na vida, menos acredito em Deus. É uma confusão na minha cabeça; não encontro explicação para o que acontece. Por que é que meu filho nasce em berço de ouro, enquanto outro, infeliz, nasce para sofrer, morrer de doença, e há tudo isso de triste que a gente vê na vida? É uma coisa que não entendo e, como não tenho explicação, é difícil de acreditar em um Ser superior.”
O mal, o sofrimento e a doença fazem parte de nosso cotidiano. As injustiças, a fome e a dor são tão frequentes em nosso mundo que parecem ser normais e obrigatórias. Fôssemos colocar em uma biblioteca todos os livros já escritos para tentar explicar o porquê dessa realidade, ficaríamos surpresos com sua quantidade.
O mal, o sofrimento e a doença fazem parte de nosso cotidiano. As injustiças, a fome e a dor são tão frequentes em nosso mundo que parecem ser normais e obrigatórias. Fôssemos colocar em uma biblioteca todos os livros já escritos para tentar explicar o porquê dessa realidade, ficaríamos surpresos com sua quantidade.
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
Bento XVI explica a Eucaristia às crianças
Encontro de Bento XVI com mais de cem mil crianças da primeira comunhão.
A seguir apresentam-se algumas das perguntas das crianças e as respostas do Papa:
André: Querido Papa, que recordação tens do dia da tua Primeira Comunhão?
Recordo-me bem do dia da minha Primeira Comunhão. Era um lindo domingo de Março de 1936, portanto, há 69 anos. Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro. Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes. Mas, no centro das minhas recordações alegres e bonitas está o pensamento o mesmo já foi dito pelo vosso porta-voz que compreendi que Jesus tinha entrado no meu coração, tinha feito visita justamente a mim. E com Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; e assim estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo até mim. E entendi que então começava uma nova etapa da minha vida, tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a esta Comunhão. Prometi ao Senhor, por quanto podia: "Gostaria de estar sempre contigo" e pedi-lhe: "Mas, sobretudo permanece comigo". E assim fui em frente na minha vida. Graças a Deus, o Senhor tomou-me sempre pela mão, guiou-me também nas situações difíceis. E dessa forma, a alegria da Primeira Comunhão foi o início de um caminho realizado juntos. Espero que, também para todos vós, a Primeira Comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se torna boa.
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
Corpus Christi - Sentido e origem
1. O sentido da celebração
Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.
Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.
Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.
Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.
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Daniel Fagundes
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